03.29.09

Sejam Bem-Vindos à Minha Casa

Enviado em Frases soltas às 19:28 por Taisa Prado

105_03909-preto-e-brancoTudo bem, verdade seja dita, talvez não valha tanto assim perder o “precioso” tempo de vcs para acessar este blog, mas quando não estiverem fazendo nada; estiverem assim, como se diz, de bobeira, acessem e sejam solidários comigo.
Não reparem na bagunça… afinal, ele ainda está no começo, mas espero que eu consiga sempre compartilhar um pouco de mim com vcs através dele pois quero que ele seja de verdade a minha casa. Quero que ele seja uma casa acolhedora e tão cheia de tantas coisas; onde a cada passo um livro é encontrado e em cada gaveta novas informações surjam. A cada estação do rádio ligado uma notícia diferente se ouça e uma música toque e assim, escrevendo, lendo e falando sobre tudo, não nos prendamos a nenhum compromisso, mas sejamos livres para falar sobre o que gostamos e sobre o que quisermos mas presos  ao que é justo.

01.24.10

POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, EU NÃO BEBI

Enviado em Crônicas às 13:47 por Taisa Prado

Por vezes uma gota pode fazer um balde transbordar.

São aquelas pequenas coisas que vão nos acontecendo e que vamos guardando, colocando em nosso balde. Chega uma hora, porém, que o balde já está tão cheio que mal conseguimos levantá-lo e aí vem aquela gotinha, aquela tão insignificante, que todos dizem “mas que besteira!”, e caindo no balde faz com que ele transborde. Aí “chutamos o balde” de vez e que a água toda saia então, já que lá dentro não cabe mais.

Minha mãe diz que eu sempre fui tão chorona, que quando eu era pequena se alguém falasse que eu era bonita eu chorava. Vai ver que era de emoção! Ou talvez eu ficasse tão ansiosa para que alguém falasse e à medida que não acontecia a angústia crescia, daí, quando falavam, os sentimentos eram tão conflitantes que não era possível segurar as lágrimas.

Quando estou chateada e acontece alguma coisa indesejável, na hora não consigo só pensar no que está acontecendo, toda a chateação vem junto e aumentada por mais essa gotinha; o balde começa a pesar e dá uma vontade enorme de chutá-lo. Muitas vezes protagonizo cenas que “a olhos nus” são irracionais. Algo como: Briguei com a mãe; com o irmão; meu melhor amigo não quer mais me ver; bati o carro, quebrei uma perna, um braço; na saída do hospital piso numa pedrinha. Ah! Aí foi de mais. Maldita pedra, começo a pisar nela com tanta força, tanta força que quero vê-la reduzida a pó. Ufa! “chutei o balde”.

Tanto exagero assim para introduzir o que me aconteceu dias atrás.

Tenho estado muito preocupada, cheia mesmo. Várias coisas me angustiando. Mas não é por isso que vou deixar de comer… Portanto, tento almoçar todos os dias. E almoço sempre no mesmo lugar, no restaurante que fica no prédio onde trabalho, alguns andares a baixo. Como são poucos andares de diferença, desço pela escada (e às vezes subo de elevador…rss).

Quando estou angustiada, preocupada, não consigo pensar em outras coisas que não os problemas, eles ficam girando em minha cabeça o tempo todo. A parte do dia em que consigo esquecer é quando estou trabalhando, aí assumo um papel e fico nele. Mas quando saio para almoçar, ou fazer outra coisa, bem, aí já saí do trabalho e todas as outras distrações chegam. Não raramente passo do andar, seja indo, seja voltando. Certo dia, me deparei com um quadro de energia na parede, e pensei: “puxa, nunca tinha reparado nele, e continuei andando. Quando fui ver, tinha passado do meu andar”.

E em um dia específico, quase que passei do andar do restaurante, então já cheguei com umas gotinhas a mais no balde do que quando saí para almoçar.

O restaurante é por quilo, peguei minha bandeja e fui me servir. Só notei que tinha algo errado quando as folhas da salada caíram direto na bandeja. Eu não havia pegado o prato.

Torcendo para que ninguém tivesse visto, voltei e peguei o prato e talheres para almoçar e fui, de novo, me servir.

Almocei até que tranqüila, na verdade, meio anestesiada. Depois que acabei, me levantei e fui para a fila do caixa pagar. Quando já estava quase chegando minha vez, bateu um desespero: cadê a comanda? Virei-me rapidamente em direção à mesa mas a bandeja já havia sido levada. Comecei a ficar visivelmente transtornada. A moça do caixa perguntou o que foi e eu disse que tinha perdido a comanda. Mas disse isso com a maior cara de choro, querendo fugir dali. Os moços do balcão vieram acudir a moça tão consternada, eu. Tentei explicar que não era nada demais, que eu só tinha perdido a comanda, mas que estava naquele estado por outras coisas. Mas não dava muito para explicar e eles ficaram tentando me consolar dizendo que perder a comanda era muito comum, pessoas faziam aquilo todos os dias. Enfim… um rapaz falou que ia fazer outra para mim e perguntou quanto tinha dado o meu prato. Eu sempre olho, mas naquele dia não olhei, eu não sabia quanto tinha dado. Ele então perguntou quanto normalmente dava, eu falei e ele marcou. Então ele perguntou:

_ Foi só isso? Você não bebeu nada?

Sorrindo, eu tive que responder:

_ Não. Por incrível que pareça, eu não bebi.

01.01.10

MAIS POBRE E MAIS VELHA

Enviado em Crônicas às 21:56 por Taisa Prado

Tem certas coisas que nos acontecem que contando parece até mentira…

Dias atrás nos arredores de meu serviço fui parada por uma moça me convidando para uma pesquisa, achei que era daquelas para vender cursos e fui embora, mas quando a moça falou “… e você ganha R$ 5,oo” eu tive que voltar, me virei para ela e perguntei se era verdade, ela disse que sim, que seu chefe me daria R$ 5,oo, incrédula retruquei: “Mas por que ele vai me dar R$ 5,oo??” (puxa, como eu gostaria de ganhar um real que fosse…), a moça então me explicou que ele me pagaria por participar da pesquisa, apenas isso… Então vamos lá, com uma insistência dessas por que não participar?

Mas na primeira pergunta, fui dispensada e tive que ir embora sem dinheiro e, mais velha… a pesquisa era para pessoas com mais de trinta anos…

Então falei para a moça: Você não quis me dar o dinheiro e ainda me achou com cara de mais velha!

Que mundo injusto!!!!

SHOPPING EM DIA DE FESTA

Enviado em Coisas que gosto, Crônicas às 21:46 por Taisa Prado

Como é sabido sou uma fã dos passeios (e comidinhas) nos shoppings. Mas sinceramente, ir em dias de festa é um programa insalubre! Mas, me lembro disto apenas quando já estou lá….

Ontem (31/12) na volta do serviço passei no shopping, precisava passar em algumas lojas, e, é claro, comer; aliás, estava com muuuuiiiita fome! Com tantas opções, resolvi comer esfihas, mas fiquei muito tempo na fila que acabei desistindo; eu estava me sentindo como uma criança, com vontade de chorar de fome, de verdade… (talvez quem tenha gastrite como eu saiba um pouco o que é isso)…

Decidi ir para o local onde geralmente como comida, arroz, feijão, essas coisas… Fui atendida rápido, mas a espera pela senha para retirar o prato parecia que não ia ter fim, quando já estava me resolvendo a ir devolver o pedido chamaram o meu número; ufa! as lágrimas podiam voltar para o lugar…

Ou eu achava que podia. As mesas estavam apinhadas de gente e as que estavam vazias de gente, estavam cheias de bandejas e pratos, muita sujeira…. A minha bandeja estava oleosa, denunciando uma limpeza precária. O arroz muito cozido, dava até uma aparência estranha ao prato. Da lingüiça escorria um óleo escuro, como o que fica na frigideira usada muitas vezes com o mesmo óleo. Mas, afinal…

Após o almoço, foi a hora da sobremesa… Como era dia de festa, valeria a pena uma de minhas sobremesas preferidas, um delicioso petit gateau…

A sorveteria estava vazia, perfeito! Estava vazia, até eu chegar… quando cheguei só tinha uma mulher, mas foi chegando mais gente e só tinha uma moça para atender, e o meu pedido foi ficando de lado, afinal ela ia ter que preparar e o das outras pessoas era só pesar e cobrar. Quando finalmente foram embora, a moça então pegou o bolinho do forno e preparou minha a sobremesa. O bolinho já estava frio, o sorvete e o chantily derretidos, mas, estava gostoso mesmo assim…

E desse jeito foi o meu semi passeio no shopping, chorando de fome, as lojas cheias, desistindo das compras devido às filas, mas shopping em dia de festa é isso, tomara que eu me lembre disso da próxima vez.

10.11.09

CARIDADE

Enviado em Crônicas tagged às 14:25 por Taisa Prado

Durante os feriados e fins de semana é quando percebemos de forma mais evidente a caridade das pessoas. Acha que não? Aqui vai alguns exemplos:

OS VIZINHOS:
Para que pessoas mais caridosas que os vizinhos? No fim semana, que é quando existe alguma possibilidade de descanso e de repor um pouco do sono perdido, eis que eles com toda a caridade, compartilham conosco suas músicas. E como não são egoístas, não querem ouvir sozinhos, aumentam o volume no último (alguns até colocam as caixas de som para fora). E compartilham entre eles também. São músicas para todos os gostos. Ninguém fica de fora. É funk, samba, pagode, forró, gospel, etc. O fato de tocar tudo ao mesmo tempo é só um detalhe. Bons tempos aqueles quando compartilhávamos apenas algumas xícaras de açúcar…

OS MOTORISTAS:
São caridosos que não querem passear sozinhos, passam com seus carros de forma a levar quem mais estiver na rua junto.

TRANSPORTE COLETIVO:
Saúdam a confraternização universal. Com a frota de ônibus, trens e metrôs drasticamente reduzida o jeito é todo mundo ficar junto nos pontos e estações conversando.

TORCIDAS:
E quando tem futebol? Não dá para ficar neutro. As torcidas vão fazer a sua casa vibrar a cada gol.

CONVERSA ESTRANHA

Enviado em Crônicas tagged às 14:15 por Taisa Prado

Na volta do curso passei por dois rapazes que conversavam:

_ Eu até gosto de música parada, desde que tenha sentido.

SENTIDO: Lado, direção.

Bem, sob a ótica do verbete, essa conversa ficou meio “sem sentido”, não?

O ESTRANHO USO DO PLURAL

Enviado em Família tagged às 14:01 por Taisa Prado

Meu marido usa o plural de forma singular:

No supermercado:

_ Amor, o que vamos jantar? – leia-se: mulher, o que vai ter para eu comer?

_ Não sei, alguma sugestão?

_ Vamos levar uma carne e legumes para cozinharmos. Leia-se: vamos levar carne e batata para você fazer.

09.18.09

Mea Culpa

Enviado em Frases soltas às 23:07 por Taisa Prado

Sou a maior culpada por ser assim: eu mesma.

As escolhas que fiz, os caminhos que tomei, foram eles que me conduziram ao meu estado atual.

Sou tão culpada quanto as circunstâncias, mas que escolha eu tinha diante delas?

08.09.09

Este Inferno de Amar – Almeida Garrett

Enviado em Outros Poemas às 20:50 por Taisa Prado

Este Inferno de Amar

Este inferno de amar — como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida — e que a vida destrói —
Como é que se veio a atear,
Quando — ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra; o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez… — foi um sonho —
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar…
Quem me veio, ai de mim! despertar?

Só me lembra que um dia formoso
Eu passei… dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos, que vagos giravam,
Que fez ela? Eu que fiz? — Não no sei
Mas nessa hora a viver comecei…

Almeida Garrett (1799-1854)

RETRATO – CECÍLIA MEIRELES

Enviado em Outros Poemas às 20:13 por Taisa Prado

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles

TRILHA SONORA

Enviado em Crônicas às 18:43 por Taisa Prado

Não tinha mais tanta pressa para chegar… Pelo contrário, meus passos se tornaram lentos e fui dando espaço para que o senhor que estava atrás de mim pudesse passar.  Agora eu ia pé ante pé, observando tranqüilamente cada pedaço de chão sob meus pés… tudo para ouvir até o último acorde da música que tocava em meus fones de ouvido. Foi só a música começar a tocar, uma música que há algum tempo eu não ouvia, tão cheia de melodia e som envolventes que fizeram com que tudo o mais não fosse tão urgente e tão importante que não pudesse esperar. E assim, ali na calçada, eu ia contando as folhas secas no chão e agradavelmente deixava até as fileiras de formigas passarem, tudo para curtir com mais intensidade o som e deixar a vida rolar. As coisas ganham mais cores e tornam-se melhores com trilha sonora …

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